domingo, 1 de dezembro de 2013

sin-tonia

sorrisos de verdades caladas
palavras naturais de uma conversa aleatória
e olhares que dizem o que se esconde

e eu não preciso de muito mais
só sentir.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

sobre estar distraída

Sobre aquilo que seríamos, se fôssemos algo
Se fôssemos sonhos, seríamos irreais
Se fôssemos sentimentos, seríamos abstratos
Se fôssemos o que vivemos, seríamos passado
Se fôssemos o que pensamos, seríamos ideias 
Se fôssemos o que acreditamos, seríamos incertos
Se fôssemos o que falamos, seríamos mutáveis
E se fôssemos tudo isso junto, nada seríamos
Dizem que o tudo está perto do nada, portanto,
Ele nos restaria

Se não fossemos reais, não seríamos
Se não fôssemos vida, seríamos fim
Se não fôssemos presente, seríamos inexistência
Se não fôssemos momentos, seríamos fulgazes
E se somos fulgazes, pra que todo o resto?
Sem mais fôssemos e muito menos seríamos
Não nos cabe os porquês
Na verdade, nada nos cabe
Nós somos pequenos demais para tudo que está contido em nós
Somos, simplesmente.



sexta-feira, 8 de novembro de 2013

vida inteira

" E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo - o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão -, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto." - Antonio Prata

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

a-jeito

Quando tudo parecer precisar de mais emoção, cor e vida, não se desespere. Corra atrás daquilo que pode alcançar, mas deixa que o destino faça sua parte.
Mantenha em si, consigo e por você mesmo, faça o que achar necessário para deixar o sorriso grande.
E pronto. 
Não abra mão do que te faz. 
Se for pra ser, vai ser. 
Se for pra chegar, vai chegar.
Se for pra mudar, vai mudar. 
E quando a gente tem a paciência de esperar. Acontece. Quando acontece, acontece quando tinha que acontecer.

Um dia me perguntaram por que eu?
E eu fiz a mesma pergunta. Eu?
Só não soube responder, nem a mim, nem a vocês.
Escute a si mesmo, porque a gente guarda mais soluções do que pode imaginar.
E respeitar o próprio tempo é uma delas.
Deixem dizer que não, que já ta na hora, que já passou da hora. Deixe a hora.
E concentre-se em fazer do seu próprio mundo, o mundo inteiro.
Vai dar certo, pode acreditar.

apaixone-se. todos os dias. por você. 
o resto virá como consequência.
ninguém vive sozinho.
ninguem se encontra sem antes encontrar os outros.
e se apaixonar por eles.
todos os dias.





terça-feira, 20 de agosto de 2013

várias de mim

Eu aprendi a conviver com a minha própria companhia e a gostar dela também. Aprendi que a vida não é vida se for sozinha, se não for compartilhada. Mas aprendi também que solidão é estar sozinho de si mesmo e não apenas a ausencia de outra pessoa. Não sei exatamente o que é e, ultimamente, eu tenho preferido a minha própria companhia e os meus proprios pensamentos. Tenho preferido o silencio aos gritos e a discrição a exposição. Deve ser o desejo de organizar o interno, acalmar as coisas para não desarrumar os outros. E to bem. To bem melhor do que imaginaria. E se falo, não é porque é ao contrário, mas sim, porque é estranho. Eu to bem assim meio sem ninguem  e com todo mundo ao mesmo tempo. E, agora, me da licença, que eu vou continuar com todas as outras de mim.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.
Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crer que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre."

- Gabriel García Marques

domingo, 28 de julho de 2013

"E tenham também a coragem de ser felizes!"

Há pouco mais de um ano, a Jornada Mundial da Juventude já começava a despontar sua preparação em algumas paróquias e causava certa expectativa. Foi se concretizando mesmo com o início dos treinamentos e quando as informações foram chegando, os números eram enormes e por mais que eu imaginasse, a magnitude do evento ainda iria me impressionar.

Em 2013, a jornada ultrapassou os muros da Igreja e passou a ser assunto de outras rodas de conversa. Seria em julho um tal evento de jovens católicos. Não sei até aonde foi o pensamento de cada um, mas sei que só tomaram consciência mesmo quando afetou a rotina de todo o morador da cidade do Rio pelo decreto oficial de feriado. Bom, era um evento importante . Foi possível ver as mudanças em todos os planejamentos, fosse da faculdade ou do trabalho. Ou ainda no transito. As ruas seriam fechadas. Era um evento grande. Eu, ainda que soubesse antes sobre os possíveis feriados, fui me surpreendendo a cada alteração de planejamento em torno de um algo que já me engajava há um tempo. Em torno de um evento religioso em tempos de ceticismo.

Dia 23 a 28 de julho, então, chegou. Tudo chega e não foi diferente com o que esperamos por um ano e meio. Coloquei na bolsa azul meu colete de socorrista, minha garrafa de água, dinheiro, documento, celular e alguns chaveiros para “cambiar”. Vesti a camisa amarela e a credencial de voluntário. E levei no coração a vontade de ver o que aconteceria. A minha expectativa era ver pessoas, ajudar quem passava mal e o Papa ficaria pra a próxima Jornada, ve-lo seria muito difícil(esqueci que os planos de Deus são sempre melhores que os nossos). Apesar da longa espera, aprendi que quanto maior essa tal de expectativa, maior a probabilidade de decepção. Ultimamente, ando mantendo-a no limite mínimo.

 

E aí, entre tantas mudanças, entre tantas falhas, entre tantas situações com valores nem um pouco cristãos, ainda assim, não era possível desanimar. Não era possível, pelo menos, não se impressionar com a quantidade de pessoas de todo mundo no mesmo lugar, falando diferentes línguas, mas se entendendo pela forma mundial de manifestação do bem: o sorriso. Olhando assim, por fora, eu posso até parecer uma pessoa com muita fé, mas a verdade, é que esse negócio de fé precisa de uma recarga constante e, no meu caso, eu diria que a minha é tão pequena que eu preciso sempre de algo para mante-la viva. Todos precisamos. E o que eu presenciei durante todos esses dias foi como reacender o que quase se apagava. Foram ações concretas de humanidade por todos os lados: vi uma multidão em silencio, rezando junta a um mesmo Deus que morreu por nós por amor e vi essa mesma multidão pulando na mesma música, mostrando que alegria vem de dentro; vi um grupo de jovens chilenos cantando juntos no centro do Rio e deixando todos nós que passávamos, pasmos com a animação e testemunho; vi um homem com um sorriso permanente até de boca fechada que incansavelmente acenava para muitos que esperaram por horas apenas sua presença cheia de graças; vi o mesmo homem de novo, demonstrando uma simplicidade absurda pelo olhar ainda que ele seja um chefe de estado; vi esse Papa Francisco trazendo a Cristo, como ele mesmo disse no discurso de chegada, pessoalmente. Ele nos trouxe o Cristo que está com ele de maneira muita viva e transparente, basta parar para sentir o que acontece quando ele passa. Vi gente de todos os lugares do mundo conversando como se tivessem se reencontrado. Vi soldados educados e prestativos a manter a organização sem tirar o brilho de tal acontecimento. Vi argentinos e brasileiros juntos, africanos e europeus. Vi tantas bandeiras balançando que nem sabia o nome de todos os países que representavam. Falei em espanhol, inglês e até algumas palavras em polonês, descobri que não sei falar quase nada de nada, mas que quando a gente quer ajudar, a gente se entende. Vi milhares andando por todos os cantos e, ainda que cansados, cantavam certos de que não havia lugar melhor para estar. Eu andei, eu dancei, eu cantei, rezei, trabalhei e me emocionei muito com tudo o que acontecia. Eu vivi aquilo ali de algumas maneiras e, pelo meu próprio ângulo, posso dizer que há vários erros, mas nenhum deles conseguiu sequer atingir o grande objetivo da Jornada: a vivência da fé por jovens discípulos que vieram do mundo inteiro e que, agora, voltam como missionários. Uma boa notícia não deve ficar escondida, ela deve ser anunciada a todas as nações. E o Papa Francisco nos trouxe uma boa notícia: “Jesus Cristo bota fé nos jovens...Ide sem medo para servir....Misturem amor, fé e esperança, tudo junto, na vida de vocês.....E tenham também coragem de ser felizes!”

Do mesmo jeito que a Igreja deve ser reformada e acompanhar as mudanças do mundo para que haja mais humanidade, respeito, dignidade e igualdade, nós que fazemos parte dela precisamos continuar a Jornada nos nossos corações e, consequentemente, nas nossas casas, cidades e, por fim, países. O clima é de despedida, mas o pedido é de continuidade. Começou agora e é a parte mais difícil, porque ser cristão em 3 milhoes de cristãos é como ser gota no meio do mar. E o Papa Chico nos pede para “irmos contra a correnteza sem medo”, só porque o mundo anda muito de cabeça pra baixo. Só porque “nenhum cristão deveria dormir bem até que uma única criança passe fome no mundo”, só porque seguir a Cristo vai muito além da doação no fim do mês. Abrange o encontro com todas as religiões e a causa política de cada lugar.  Antes de sermos católicos, precisamos ser gente. Precisamos olhar o outro como gente seja lá qual for sua religião e, só assim, atingiremos corações. Um inesquecível exemplo já deixou os ares cariocas, mas vai permanecer presente na nossa memória assim como a intensidade desses últimos dias que vivemos.

Por fim, eu diria que a saudade já é grande e dolorida porque viveria assim todos os dias se pudesse e, agora, “acabou-se”. Só quem teve tal experiência, entende que, acima de qualquer polemica e dilema, o nosso maior ponto de encontro é o amor gigantesco de Deus por cada um de nós. E esse não tem como deixar. É por isso, que é bom coloca-Lo em todos os dias da nossa vida. Ainda que a rotina possa nos afastar, que a Jornada tenha sido a vivencia viva de que não estamos sozinho e de que vale muito a pena ser feliz de maneira plena.
 E, claro, POLSKAAA, espere por nós!


 

terça-feira, 18 de junho de 2013

Primavera

Algo maior e indescritível me movia a ir ao protesto marcado as 17 horas na Candelária. E eu me perguntava o porquê de tanta vontade, de se expor assim, correr risco em prol de uma causa ampla e talvez, sem conquistas. Mas nada importou quando eu me vi como pessoa, cidadã, cristã e estudante com o dever de participar. Talvez porque todos esses papéis se confluíram e lutar por direitos se ampliou em lutar pelas pessoas, inclusive pelas que nem existem ainda, pelo próximo e por mim tb. A hora que o povo se levanta e toma as ruas que eu achei só conhecer pelos livros, eu vi de perto. Eu fui.
Fui, com medo só porque nossa polícia resolveu não ser nossa e esqueceu sobre suas próprias limitações e, quando a gente perde as regras do jogo, forma-se um território obscuro. Mas eu tinha que ir com medo mesmo.
Descemos na Presidente Vargas em direção a Candelária e muita gente já se aglomerava e caminhava chamando o povo "Vem pra rua, vem!" com um sorriso no rosto. A multidão com cartazes, cantando e olhando pro alto a cada papel branco que jogava da janela me arrepiou de imediato. Eu tava ali. Presenciando que todo mundo busca não mais do que paz. Paz pra si, paz pros outros e estava se reconhecendo numa luta única. Foi bonito de ver e foi uma excelente forma de dispersar tamanho medo.
A multidão foi crescendo até entrarmos pela Rio Branco e ela se perder de vista. Contabilizam 100 mil pessoas. Era muita gente, gente o suficiente para gritar num só coro que a única bandeira era a do Brasil e junto com essa mesma bandeira, gritar o hino nacional. Gente carente de direito que pedia para descerem dos monumentos e pararem com as pichações. Eram 100 mil fazendo a diferença no Rio e juntos, gritando com São Paulo e Brasília e outras tantas capitais que chegou a hora de mudar.
Alguns dirão que não vale o esforço, que nada vai mudar, que são vários lunáticos e alguns imitadores que resolveram badernar. Dirão que é puro idealismo e que no fundo, o que importa mesmo o que a gente vive quando chega em casa e tem que dar conta do que não fez durante o protesto. Dirão que não tem propósito e a gente vive sozinho, o governo é outra esfera e nada tem haver conosco. Votaram errado, agora aguentem.
Eu diria que tenho pena desses tantos poucos. Só porque ainda não perceberam que não se trata de parar o Brasil e fim. Nem de falta de causa. Trata-se do excesso delas, a gente perde as contas dos motivos que temos para protestar. E já deveríamos ter feito isso há muito tempo. É sobre gente que paga um pouco mais a cada ano para andar de onibus lotado durante km e não receber aumento no proprio salário, é sobre motoristas que apresentam a maior taxa de stress entre as profissões, é sobre gente morrendo por falta de leito, de emergencia, de material básico nos hospitais que deveriam ser referência, é sobre preconceito, sobre uma Constituição bonita no papel, mas utópica na prática,sobre um investimento estratosférico na Copa e um fechar de olhos para educação, é sobre falta de humanidade dos poderosos que parecem esquecer que somos gente iguais a eles.  É sobre mudanças e toda mudança precisa de uma quebra, de uma manifestação. Tantos na rua é a nossa forma de mostrar que estamos aqui e pensamos. Pensamos e nos reconhecemos na mesma situação. E cansamos dela. Nossa arma é a insatisfação e o voto talvez seja insuficiente. Dar a cara a tapa pra mostrar pro mundo e para os políticos que o Brasil acordou e se o povo antes era levado, agora ele quer ser devidamente governado, representado. Se a ditadura resolveu se disfarçar de democracia, acho que as máscaras estão caindo, afinal, nada sem raiz dura eternamente. Orgulho é o nome do que eu senti quando me vi no meio de uma multidão que gritava pelos seus direitos e sorria ao meu lado, só porque a gente foi feito pra tá junto e dá pra sentir o que acontece quando muita coisa boa se concentra.
Quanto ao episódio da Alerj, não estava presente e por isso, não relato com tanta intimidade. Mas em relação aos focos de violencia, posso dizer que foram 4 horas de caminhada entre flores, cartazes, música e sorrisos para alguns minutos de depradação na Alerj. Não sei exatamente o limiar entre a revolta e a crueldade, não há como negar que toda grande mudança histórica passou por uma violência escrachada, mas, talvez, seja a hora de mudar isso também. Eu sei que alguns prédios simbolizam valores escassos hoje em dia e protesto pode parecer improdutivo sem marcas estruturais. Quando o jogo perde as regras, a gente inventa as nossas próprias, mas se as formas de organização mudaram via redes sociais, porque a gente não pode acreditar também numa forma diferente de lutar? Não é demagogia, é só a extensão da esperança que a gente procura. Quando o movimento perde a legitimidade, falta confiança e se falta confiança, deixa de mobilizar a tantos. Se faltar coragem, vá assim mesmo, vale a pena lutar por uma causa, ainda mais quando ela é a mesma para tantos. Para um país inteiro.
Antes de chegar no ponto de onibus, nos juntamos a uma ciranda que cantava três palavras: Paz, amor e liberdade. E A roda só aumentou e os sorrisos só se multiplicaram.
Depois,subi no ônibus, paguei 2,95 e voltei pra casa. Pode parecer irônico e é mesmo. Mas as flores também podem nascer durante o inverno. Aliás, as flores mais bonitas.

domingo, 2 de junho de 2013

Vida louca vida breve

Eu tenho uma parte que me é estranha.
Uma parte minha que eu não decidi ainda se eu que nao reconheço ou se é a única que eu conheço.
Uma parte que de vez em quando, resolve gritar mais que todas as outras.
Como se fosse calada diariamente, como se fosse estranha.
Como se fosse tão minha.
Uma parte de arte. De inspiração. De loucura. De vontade de viver de outro jeito.
Aquela parte que tem uma tentação muito grande de comprar um trailler e seguir sem roteiro.
De fazer um mochilão sem destino e conhecer os inóspitos do mundo.
De admirar cada pessoa maluca que eu encontro nesse mundo.
Essa espécie que se demora um pouco a reconhecer, mas se tem a certeza qd se vê. Essa que diz eu te amo sem preceitos, que pula quando da vontade, que grita se precisar, que dança sem perceber, que sorri de graça, que vive pagando micos. Para fazer o alheio feliz. Para ser feliz, como roteiro.
Gosto do tipo de gente que vive assim, como se as regras não fossem pesos. Que vive careta sem breguice. Que vive brega sem caretices. Que não sabe o que é preocupação, apenas, ocupação.
Gosto do tipo de arte que entrega, que sente, que olha de um jeito diferente e faz a vida ficar colorida.
Gosto de teatro. Gosto de teatralizar o que a gente vive. De fazer da peça  o momento cotidiano que ninguém percebe. Como diria o poeta, teatro nao é uma mentira da vida. É a verdade do momento. Gosto de verdades. Não de meias mentiras.
No teatro, a gente vive a realidade da mentira de todo o dia.
E expõe o que é nosso, mais íntimo. Íntimo só pq a gente esconde, pq no fundo, todo mundo é igual.Só finge que é normal.
Só.
Gosto do tipo estranho.
De gente estranha.


domingo, 19 de maio de 2013

.

"Sei do escândalo
E eles têm razão
Quando vêm dizer
Que eu não sei medir
Nem tempo e nem medo"
Los.

terça-feira, 7 de maio de 2013

Uma perguntinha

Hoje de manhã, estava num grupo de pessoas que queriam parar de fumar devido a uma matéria na faculdade. Era uma clínica e nós entramos na sala apenas para olhar como se daria a conversa. Entre todos os pontos interessantes, o que mais me chamou atenção não se aplica a medicina. No finalzinho já, o médico que guiava a conversa disse: "Vou fazer agora duas perguntinhas para vocês que parece não ter nada haver com o cigarro, mas tem e vocês entenderão. A primeira delas é: o que é o amor?"
Entre os jovens e velhos que ali estavam, homens e mulheres, ninguém respondeu. Alguns balbuciaram "doação", "solidariedade", mas ninguém se atreveu a responder mesmo. A conceituá-lo. 
O silêncio me fez sorrir. Ele não se fez com a ausência de sons,pois dava pra ouvir a mente de cada um tentando buscar uma palavra para algo tão falado, mas se frustrando ao não achar nenhuma. Dava para ouvir cada coração acelerando ao pensar naqueles que eles mais amavam e o nosso ponto fraco sendo mais exposto. Dava pra perceber um certo incomodo ao falar de um assunto tão íntimo, mas ao mesmo tempo, tão público, tão clichê.
Naquele momento, percebi que não interessa nossas características, nosso dinheiro, nossa cor, nossas dificuldades. Não interessa nada que nos diferencie quando se fala de amor. Falar de amor é como tocar na origem de cada um, no sentimento que todo mundo sente. Todo mundo. Alguns escondem-se tanto de si mesmos, que já perderam o endereço de onde o colocaram, mas ele ainda ta ali, como se fosse nossa própria matéria, sabe? E sempre haverá aquela exata pessoa que tem o poder de traze-lo a tona com um só olhar ou gesto ou
toque. Pode ser um choro também, aquele de bebê que nasce e traz consigo a beleza do mundo inteiro. Ou aquele doído que dói na gente ao ver alguém que amamos chorando, aí a gente percebe que essa sintonia aí só pode ser amor. Pode ser doentio quando vem junto com a tal da paixão. Pode ser desgastante quando se fala de pais, mas intenso quando se fala de..pais. Pode ser sutil, engraçado, bobo, amigo. Pode ser. Pode ser de várias formas. Mas sempre traz uma mesma fórmula que parece ser o sentido de tudo que nos faz bem. Do que faz o mundo inteiro bem. E a gente nem sabe dizer o que é ficar bem. Assim como a gente não sabe dizer o que é o amor.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ele e ela

Ele ficou horas a espera
Olhando de longe e em silêncio
Ficou por admirá-la
Viu suas curvas, seus devaneios, suas incógnitas
Tentou decifrar seus mistérios enquanto esperava
E permaneceu ali, encantado.

Na hora certa, resolveu se esvair
Foi um espetáculo silencioso e discreto, assim como ele
Mas magnífico e radiante
Foi desapercebido apenas pelos que não o reparam, apenas pelos dispensáveis
Foi admirado como quem admirou e todos pararam pra ver, ela parou pra ver

E na ausência de cada som com que se deixava
Deixou o espectro de cores mais belo
Fez do que era azul, laranja, amarelo e arroxeado
Fez do que era estático, dinâmico e fluido
E ela parou pra ver

Cada raio seu atingiu o sorriso de quem percebia o maior espetáculo da Terra, que parou pra ver, que se faz todos os dias, mesmo sem ninguém perceber.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Feitos ou caídos?

Descobri! Descobri! Ó céus, descobri...:)
Descobri que não foi o mundo que desabou e nem ficou mais cinza. Não foi a vida que perdeu a graça e o sorriso que ficou mais difícil de aparecer. Não foi a depressão que quis ser minha amiga
Fui eu mesma, eu mesma que resolvi tirar férias de tudo e descobri que a gente não vive feliz sozinho. Eu mesma que tive tempo o suficiente para pensar e só cheguei a uma única e concreta solução: não adianta pensar, é preciso fazer. Pensar pode ser o pior dos caminhos. Trava, entristece, te leva achar motivos que já tinham deixado de ser....E, pensar pode ser o melhor dos caminhos desde que seja o princípio de qualquer boa ação, de qualquer coisa que encha a alma, acalme o espírito, traga paz e faça sorrir, sorrir por dentro para que, por fora, seja mais belo ainda.
Foi assim, assim que descobri que tudo continua bem, no seu lugar, como deveria ser, fui só eu que resolvi olhar com outros olhos. Talvez seja bom olhar com outros olhos só pra gente perceber que são errados e voltar a ver com clareza de novo. Só pra valorizar aquilo que realmente importa e ver o mundo por uma janela mais limpa. A gente só percebe que ela ta limpa, quando há uma sujeira retirada. E que assim tenha sido. Vai passar, já passou. Que o começo da rotina seja só o início do vidro limpo de novo e de novo e mais uma vez. Que seja só uma nova forma de pensar.
E só assim a gente sente que está realmente vivo, quando recomeça, quando repete, quando faz tudo de novo se for o certo a fazer. A vida é assim feita dos mesmos recomeços para novos fins. Ciclos que, inacreditavelmente, não param no mesmo lugar. Ou param. Deve ser uma brincadeira de anjos sapecas que mudam a rota ou mantem tudo no mesmo lugar, só pra ver como a gente reage. Até que alguns quebram as asas e caem por aqui. Algum dia, eu vou perguntar pra um deles(sim, conheço alguns anjos quebrados e você também deve conhecer, mas preste atenção, as vezes, nem eles sabem quem o são) como é experimentar o que antes era apenas uma brincadeira. O grande sonho de um anjo deve ser cair por Terra, só pra ver como é viver como uma das criaturas mais amadas por Deus: um humano.

domingo, 14 de abril de 2013

será mesmo?

As crianças são mais felizes.
Basta olhar pra elas e ver um sorriso sincero na frente de um pote de doces.
Pede e terás o abraço mais caloroso e forte do mundo em alguns segundos.
Sinta e perceberá uma energia que não acaba mesmo quando todas as nossas forças já acabaram.
Faltam-lhe etiquetas, algumas regras e noções. E ela é feliz. Faltam-lhes preocupações e, exatamente por isso, dizem que elas são mais felizes....
E você poderia me dizer, claro, sem emprego, faculdade e mil e uma responsabilidades, elas sao felizes....Será? Porque a gente nao disse que lhes faltam responsabilidades (o dever de casa pode ser uma delas) , mas sim que lhe faltam PRE-OCUPAÇÕES. Falta aquele desperdício de tempo em que os adultos gastam pensando em como as coisas deveriam ser e não são. Aquele tempo que todo mundo perde agoniado pensando no futuro e que nunca adianta nada. E aquele apego com o passado que nunca mais vai voltar. As crianças, diferentemente, pensam só no agora. Elas vivem. O que importa mesmo, não é o tamanho das nossas responsabilidades, pq se as temos, é pq somos "maduros" o suficiente para elas. Mas sim, como lidamos com cada uma delas. O que importa é o que a gente pode mudar. E o que a gente pode mudar só tem um tempo: o presente. Deve ser por isso que se chama presente, né? O tempo imita o pacote com laço e o pacote com laço que imita o tempo....O pacote surpreende, é sinal de carinho, gratidão, amor. E o tempo, bom, o tempo pode ser o que você quiser. Oportunidade, talvez....
Se não fosse assim, não faria sentido crescer pra diminuir as chances de ser feliz. Olha aí pro lado, crianças ainda não tem identidade própria e liberdade. Elas estão em formação, ou deveriam estar, para buscar todo o aparato que as fazem felizes: liberdade, independencia, autoconhecimento, amigos. E ainda assim, elas são felizes. E a gente aqui com todas as possibilidades e sonhos do mundo, perdendo tempo invejando-as...
E se não é as crianças, olhamos pro mais velho, pra ele, pra ela, sempre pro lado e nunca pra dentro. Enquanto olhamos, menos tempo temos pra ser feliz.
E agora, menos ainda...."Mas a minha vida, a minha, é especialmente difícil". Sim. Assim como ela é só sua, só você pode olha-la de outro jeito. Só você pode achar o que te faz feliz mesmo sendo difícil.
Dizem que o parto é o evento mais traumático na vida de um bebê e, ainda assim, ele sorri ao olhar outro sorriso. Talvez pq, nem lembre do parto, mas só do que se desenrola a sua frente.
Ideal seria a maturidade de um adulto com a ingenuidade das crianças. Ideal seria carregar apenas o que acrescenta a mente e ao coração e largar pelo caminho o que há de mais pesado.
Afinal, ela não ta do nosso lado, ela ta dentro da gente, é só procurar.

terça-feira, 9 de abril de 2013

de noite

A madrugada chega quietinha e toma toda a noite. É silenciosa, nem que seja só por tentativa e guarda em si todos os sonhos do mundo. E pesadelos também. Há a calma daquele que dorme e o desespero de quem, por insonia, vaga pelas ruas do seu próprio pensamento.
Estou com uma sensação doce de chegada da madrugada, como se ela viesse só ninar o tempo com que as coisas estão acontecendo, o certo. Será que é certo por ser tempo ou por não ser caos? Ou ser. Nem sei mais. Só sei que perduraria isso por muito tempo, na busca desenfreada de viver intensamente com a completude trazida por uma paz sem sentido. Com a certeza de que nada poderia estar melhor. E eu nem sei porque.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

o de sempre

Ela queria escrever tudo no tempo de uma só música. Queria todos os sonhos do mundo realizados no dia seguinte e queria se sentir livre por dentro ao amanhecer. Ela queria um pouco menos de você e um pouco mais dela. Ela gosta da própria companhia, não porque é anti social, mas porque
aprendeu a apreciar a si mesma e a sintonizar seus próprios pensamentos.
Ele resolveu largar a si mesmo e se jogar no mundo. Resolveu ser livre, só que esqueceu que liberdade, como diz a música e o poeta, é disciplina. E se indisciplinou. Se perdeu na própria busca.
Ela procura por ideias implementadas, pelas suas próprias ideias. Ele se perdeu nas dele. Quais são mesmo?
Por fim, se perderam.

Assinado: A fada do conto.