segunda-feira, 29 de abril de 2013

Ele e ela

Ele ficou horas a espera
Olhando de longe e em silêncio
Ficou por admirá-la
Viu suas curvas, seus devaneios, suas incógnitas
Tentou decifrar seus mistérios enquanto esperava
E permaneceu ali, encantado.

Na hora certa, resolveu se esvair
Foi um espetáculo silencioso e discreto, assim como ele
Mas magnífico e radiante
Foi desapercebido apenas pelos que não o reparam, apenas pelos dispensáveis
Foi admirado como quem admirou e todos pararam pra ver, ela parou pra ver

E na ausência de cada som com que se deixava
Deixou o espectro de cores mais belo
Fez do que era azul, laranja, amarelo e arroxeado
Fez do que era estático, dinâmico e fluido
E ela parou pra ver

Cada raio seu atingiu o sorriso de quem percebia o maior espetáculo da Terra, que parou pra ver, que se faz todos os dias, mesmo sem ninguém perceber.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Feitos ou caídos?

Descobri! Descobri! Ó céus, descobri...:)
Descobri que não foi o mundo que desabou e nem ficou mais cinza. Não foi a vida que perdeu a graça e o sorriso que ficou mais difícil de aparecer. Não foi a depressão que quis ser minha amiga
Fui eu mesma, eu mesma que resolvi tirar férias de tudo e descobri que a gente não vive feliz sozinho. Eu mesma que tive tempo o suficiente para pensar e só cheguei a uma única e concreta solução: não adianta pensar, é preciso fazer. Pensar pode ser o pior dos caminhos. Trava, entristece, te leva achar motivos que já tinham deixado de ser....E, pensar pode ser o melhor dos caminhos desde que seja o princípio de qualquer boa ação, de qualquer coisa que encha a alma, acalme o espírito, traga paz e faça sorrir, sorrir por dentro para que, por fora, seja mais belo ainda.
Foi assim, assim que descobri que tudo continua bem, no seu lugar, como deveria ser, fui só eu que resolvi olhar com outros olhos. Talvez seja bom olhar com outros olhos só pra gente perceber que são errados e voltar a ver com clareza de novo. Só pra valorizar aquilo que realmente importa e ver o mundo por uma janela mais limpa. A gente só percebe que ela ta limpa, quando há uma sujeira retirada. E que assim tenha sido. Vai passar, já passou. Que o começo da rotina seja só o início do vidro limpo de novo e de novo e mais uma vez. Que seja só uma nova forma de pensar.
E só assim a gente sente que está realmente vivo, quando recomeça, quando repete, quando faz tudo de novo se for o certo a fazer. A vida é assim feita dos mesmos recomeços para novos fins. Ciclos que, inacreditavelmente, não param no mesmo lugar. Ou param. Deve ser uma brincadeira de anjos sapecas que mudam a rota ou mantem tudo no mesmo lugar, só pra ver como a gente reage. Até que alguns quebram as asas e caem por aqui. Algum dia, eu vou perguntar pra um deles(sim, conheço alguns anjos quebrados e você também deve conhecer, mas preste atenção, as vezes, nem eles sabem quem o são) como é experimentar o que antes era apenas uma brincadeira. O grande sonho de um anjo deve ser cair por Terra, só pra ver como é viver como uma das criaturas mais amadas por Deus: um humano.

domingo, 14 de abril de 2013

será mesmo?

As crianças são mais felizes.
Basta olhar pra elas e ver um sorriso sincero na frente de um pote de doces.
Pede e terás o abraço mais caloroso e forte do mundo em alguns segundos.
Sinta e perceberá uma energia que não acaba mesmo quando todas as nossas forças já acabaram.
Faltam-lhe etiquetas, algumas regras e noções. E ela é feliz. Faltam-lhes preocupações e, exatamente por isso, dizem que elas são mais felizes....
E você poderia me dizer, claro, sem emprego, faculdade e mil e uma responsabilidades, elas sao felizes....Será? Porque a gente nao disse que lhes faltam responsabilidades (o dever de casa pode ser uma delas) , mas sim que lhe faltam PRE-OCUPAÇÕES. Falta aquele desperdício de tempo em que os adultos gastam pensando em como as coisas deveriam ser e não são. Aquele tempo que todo mundo perde agoniado pensando no futuro e que nunca adianta nada. E aquele apego com o passado que nunca mais vai voltar. As crianças, diferentemente, pensam só no agora. Elas vivem. O que importa mesmo, não é o tamanho das nossas responsabilidades, pq se as temos, é pq somos "maduros" o suficiente para elas. Mas sim, como lidamos com cada uma delas. O que importa é o que a gente pode mudar. E o que a gente pode mudar só tem um tempo: o presente. Deve ser por isso que se chama presente, né? O tempo imita o pacote com laço e o pacote com laço que imita o tempo....O pacote surpreende, é sinal de carinho, gratidão, amor. E o tempo, bom, o tempo pode ser o que você quiser. Oportunidade, talvez....
Se não fosse assim, não faria sentido crescer pra diminuir as chances de ser feliz. Olha aí pro lado, crianças ainda não tem identidade própria e liberdade. Elas estão em formação, ou deveriam estar, para buscar todo o aparato que as fazem felizes: liberdade, independencia, autoconhecimento, amigos. E ainda assim, elas são felizes. E a gente aqui com todas as possibilidades e sonhos do mundo, perdendo tempo invejando-as...
E se não é as crianças, olhamos pro mais velho, pra ele, pra ela, sempre pro lado e nunca pra dentro. Enquanto olhamos, menos tempo temos pra ser feliz.
E agora, menos ainda...."Mas a minha vida, a minha, é especialmente difícil". Sim. Assim como ela é só sua, só você pode olha-la de outro jeito. Só você pode achar o que te faz feliz mesmo sendo difícil.
Dizem que o parto é o evento mais traumático na vida de um bebê e, ainda assim, ele sorri ao olhar outro sorriso. Talvez pq, nem lembre do parto, mas só do que se desenrola a sua frente.
Ideal seria a maturidade de um adulto com a ingenuidade das crianças. Ideal seria carregar apenas o que acrescenta a mente e ao coração e largar pelo caminho o que há de mais pesado.
Afinal, ela não ta do nosso lado, ela ta dentro da gente, é só procurar.

terça-feira, 9 de abril de 2013

de noite

A madrugada chega quietinha e toma toda a noite. É silenciosa, nem que seja só por tentativa e guarda em si todos os sonhos do mundo. E pesadelos também. Há a calma daquele que dorme e o desespero de quem, por insonia, vaga pelas ruas do seu próprio pensamento.
Estou com uma sensação doce de chegada da madrugada, como se ela viesse só ninar o tempo com que as coisas estão acontecendo, o certo. Será que é certo por ser tempo ou por não ser caos? Ou ser. Nem sei mais. Só sei que perduraria isso por muito tempo, na busca desenfreada de viver intensamente com a completude trazida por uma paz sem sentido. Com a certeza de que nada poderia estar melhor. E eu nem sei porque.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

o de sempre

Ela queria escrever tudo no tempo de uma só música. Queria todos os sonhos do mundo realizados no dia seguinte e queria se sentir livre por dentro ao amanhecer. Ela queria um pouco menos de você e um pouco mais dela. Ela gosta da própria companhia, não porque é anti social, mas porque
aprendeu a apreciar a si mesma e a sintonizar seus próprios pensamentos.
Ele resolveu largar a si mesmo e se jogar no mundo. Resolveu ser livre, só que esqueceu que liberdade, como diz a música e o poeta, é disciplina. E se indisciplinou. Se perdeu na própria busca.
Ela procura por ideias implementadas, pelas suas próprias ideias. Ele se perdeu nas dele. Quais são mesmo?
Por fim, se perderam.

Assinado: A fada do conto.