"Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Sentem-se em casa em qualquer lugar. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor e compram passagens só de ida." Martha Medeiros terça-feira, 4 de setembro de 2012
Sem fricotes e frescuras
"Pessoas com vidas interessantes não têm fricote. Elas trocam de cidade. Sentem-se em casa em qualquer lugar. Investem em projetos sem garantia. Interessam-se por gente que é o oposto delas. Pedem demissão sem ter outro emprego em vista. Aceitam um convite para fazer o que nunca fizeram. Estão dispostas a mudar de cor preferida, de prato predileto. Começam do zero inúmeras vezes. Não se assustam com a passagem do tempo. Sobem no palco, tosam o cabelo, fazem loucuras por amor e compram passagens só de ida." Martha Medeiros segunda-feira, 3 de setembro de 2012
avulso
“E, sim, era verdade que eles não se conheciam muito bem, mas diante do pouco tempo que haviam estado juntos, ele havia descoberto o suficiente para saber que poderia amá-la para sempre.”
— (Nicholas Sparks)
— (Nicholas Sparks)
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Estamos com fome de amor
Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.
Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".
Antes idiota que infeliz!
Arnaldo Jabor.
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas. E saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos.
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só sexo não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvida?
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados, sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos Orkut, o número que comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!".
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis.
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.
Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta.
Mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois.
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza? Um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".
Antes idiota que infeliz!
Arnaldo Jabor.
terça-feira, 7 de agosto de 2012
Mais falado
Aí, aconteceu de novo. Aconteceu como se já tivesse mesmo que acontecer e como se fosse mais natural do que é pra cada um deles.
A tal história de comédia romântica, nem tanto comédia tampouco romântica. Ou deveria dizer que a comédia foi só pra disfarçar o romantismo que, de algum jeito, já existia? É, porque quando a gente sente, esquecem-se as regras da física, o racionalismo matemático, as teorias biológicas. Pode ser do nada, pode ter anos. Pode ocupar mais de um lugar no espaço ou pode não ter espaço. Pode dividir o que se quer juntar ou subtrair o que se quer aumentar. Pode involuir pela adaptação ou pode evoluir pelo (des)uso. Pode ser explicável ou pode, em vão, procurar-se a explicação. Pode ser e não ser ao mesmo tempo e todo e qualquer paradoxo antes sem sentido, assume seu destino.
Era só mais uma dessas histórias, em que ela, abre aos poucos o que guardou por tanto tempo. O coração. E ele, recebe, com confiança, aquilo que já tinha entregue a ela em tão pouco tempo. Sem perceber.
Não muda pra quem tá de fora, muda por dentro.
E, pra eles, não interessa se essa é mais uma dessas histórias que o mundo espera só o final. Nem toda história deixa de ser porque acaba e nem todo fim precisa de uma história.
Para eles, pra ele e pra ela, não importa se é uma história. Pode ser uma página do livro de cada um. O que interessa é que não tem como ser de outro jeito. Não se contesta, não se resiste. Se ilude achando que se deixou levar. Mas é só outra ilusão. Eles não tiveram escolha. Falam pouco do que sentem, talvez, não precisasse falar. Não foge dos padrões, e ainda assim, insistem em dizer que não sabem o que é. Talvez ninguém saiba mesmo. Não precisa saber.
Ela foi pra casa.
Ele saiu.
Amanhã, voltam a se falar porque saudade não precisa de tempo.
E não se pula as páginas de um livro. Ou dois.
A tal história de comédia romântica, nem tanto comédia tampouco romântica. Ou deveria dizer que a comédia foi só pra disfarçar o romantismo que, de algum jeito, já existia? É, porque quando a gente sente, esquecem-se as regras da física, o racionalismo matemático, as teorias biológicas. Pode ser do nada, pode ter anos. Pode ocupar mais de um lugar no espaço ou pode não ter espaço. Pode dividir o que se quer juntar ou subtrair o que se quer aumentar. Pode involuir pela adaptação ou pode evoluir pelo (des)uso. Pode ser explicável ou pode, em vão, procurar-se a explicação. Pode ser e não ser ao mesmo tempo e todo e qualquer paradoxo antes sem sentido, assume seu destino.
Era só mais uma dessas histórias, em que ela, abre aos poucos o que guardou por tanto tempo. O coração. E ele, recebe, com confiança, aquilo que já tinha entregue a ela em tão pouco tempo. Sem perceber.Não muda pra quem tá de fora, muda por dentro.
E, pra eles, não interessa se essa é mais uma dessas histórias que o mundo espera só o final. Nem toda história deixa de ser porque acaba e nem todo fim precisa de uma história.
Para eles, pra ele e pra ela, não importa se é uma história. Pode ser uma página do livro de cada um. O que interessa é que não tem como ser de outro jeito. Não se contesta, não se resiste. Se ilude achando que se deixou levar. Mas é só outra ilusão. Eles não tiveram escolha. Falam pouco do que sentem, talvez, não precisasse falar. Não foge dos padrões, e ainda assim, insistem em dizer que não sabem o que é. Talvez ninguém saiba mesmo. Não precisa saber.
Ela foi pra casa.
Ele saiu.
Amanhã, voltam a se falar porque saudade não precisa de tempo.
E não se pula as páginas de um livro. Ou dois.
Aquilo que não é
será que se a gente discutisse mais seria melhor?
Até aonde vale ousar por um argumento, por um orgulho, por um fim ou deixar que fique por isso mesmo, e assim, encolher-se na sua própria personalidade? Até aonde?
será que se eu batesse o pé a gente se entenderia?
por algum acaso, se houvesse um pequeno confronto, a gente saberia o que o outro pensa?
E assim, seriam duas personalidades e não apenas uma. Seriam duas pessoas e não uma ideia abafada.
E assim a gente gastaria energia, o que nao importa tanto quanto os machucados e são eles que me amedrontam. Amedrontam a ponto de recuar, sabe. "Não vale a pena discutir". Será, céus, que não vale mesmo? As grandes ideias sempre entram em conflito para formar uma maior ainda e por que tanta falta de ousadia?
OUSADIA. Deve ser isso. Incomoda os outros, mas não acomoda a si mesmo. E acomodar-se, sim, é um defeito.
Até aonde vale ousar por um argumento, por um orgulho, por um fim ou deixar que fique por isso mesmo, e assim, encolher-se na sua própria personalidade? Até aonde?
Até aonde vale remoer por dentro o que não é dito por fora?
Até aonde vale pensar nos outros e nao em si mesmo?
E assim, na inconstância daquilo que parece estável a gente segue achando aprender mais do que antes. Na doce ilusão de que a maturidade existe (e de que ela vem com o tempo). Pobre de nós.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
Entre Namorar e Pedir um X-Burguer
"Quando eu achar um namorado minha vida vai ser mais feliz: discurso daquela com sérios problemas de autorrealização. Quando eu achar um namorado vou transar todo dia: discurso da ninfomaníaca iludida. Quando eu achar um namorado vou emagrecer três quilos e ficar linda para ele: literalmente, o discurso de quem empurra com a barriga. O famoso “quando eu achar um namorado” nada mais é do que a fantasia de um sonho que todas as filhas de Afrodite tiveram, têm ou terão. O grande erro é sempre esse: o monstro da idealização.
Nem discutirei sobre o setor de “a procura do príncipe encantado”, todas nós, depois de muito custo, já descobrimos que ele não existe. Ainda assim, gerações e gerações esperam que em algum “reino tão, tão distante” lá estará ele, o homem dos sonhos, o pai dos filhos, o marido exemplar, o namorado à moda antiga ou seja lá qual for a nomeação mentirosa que você quiser dar. A verdade, minha querida, é que um dia, seja aos quinze, aos vinte ou aos vinte e cinco anos, você vai descobrir que esses são os dois dos grandes erros responsáveis por aquela velha frase de “eu não sou feliz”. O primeiro e mais corriqueiro é sonhar que um dia você encontrará ao acaso um ser do sexo oposto e lá estará a placa dizendo “Este é o seu príncipe encantado, agarre-o em três, dois, um.. já!”. O segundo é a idealização de supor que ao achar um namorado a felicidade vem de brinde. E não vem, é difícil acreditar, eu sei, mas não vem.
Quando você achar um namorado você vai ficar feliz, mas entre o ficar e o ser feliz, existe um longo caminho. Caminho no qual você terá que lembrar todo dia o que é cultivar um relacionamento. E isso pode parecer batido e antigo, mas é a pura verdade. Porque assistir filme toda sexta-feira cansa, transar na mesma posição enjoa, ver o outro com “roupa de ficar em casa” faz perder todo o encanto, dar beijo com bafo de acabei de acordar só é lindo no primeiro mês, ter que ir à festinha de aniversário da sobrinha dele em pleno sábado faz você sonhar com a balada. E aí, se não você não souber cultivar, se você não souber sair da rotina, se você não souber inovar, minha amiga, seu namoro estará fadado ao fracasso.
Você também precisará saber, antes mesmo de começar um namoro e de naufragá-lo com suas projeções de “namoro ideal” e expectativas frustradas, que estar junto com alguém não faz com que você se torne esse alguém, e que a personalidade do outro não deve fugir das mãos da pessoa e se alojar em você. E que não se deve mudar por ninguém, nem por osmose, nem por amor. É muito bonito e romântico dizer que “agora somos um”. Mas não são, quando você estiver com diarréia, é você por você mesmo. Quando você se voltar para seus pensamentos e se perguntar se é mesmo com essa pessoa que você deseja estar até o fim da vida, é você com você mesmo. E quando você fizer aquelas coisas que todo mundo faz quando ninguém vê, é você, você mesmo e só. O outro não tem nada a ver com isso. E é bom que não tenha, porque é preciso cuidar da sua própria individualidade para que sua vida não saia do eixo. Porque antes de ser dois, era um. E mesmo acompanhados, em alguma hora, ainda estamos sós. E não há erro nenhum nisso.
Erro é se vestir com os sonhos de menininha do papai e achar que só porque existe uma aliança no dedo existe uma aliança de vida. Erro é deixar de dar risadas com as amigas porque agora você é séria e passeia domingo na praça de mãos dadas. Loucura é esquecer-se de si, e pensar sempre no agrado do outro em primeiro lugar. O amor não é se doar, nem se doer. Amor é muito mais que isso. Amor é tudo aquilo que eu ainda nem sei. Mas já dizia minha avó que toda união deveria ser feita dessas cinco coisas: amizade, admiração, paixão, tesão e amor. E não importa em qual ordem esses sentimentos aparecessem, o que não poderia nunca acabar, são os dois elos da ponta: a amizade e o amor. Concordo com ela. Mesmo porque, todas as vezes em que decidi sair sem guarda-chuva, e ela o mandou levar, choveu.
Com todos os argumentos socráticos que eu poderia ressaltar prefiro ficar com toda simplicidade que os ensinamentos dessa simpática senhora podem trazer e também com o óbvio, mas que parece estar tão esquecido em nossas mentes jovens, neuróticas e contraditórias: namoro, casamento, acasalamento ou relação casual, enfim, onde existe a relação mútua entre duas pessoas, deve haver cultivo, individualidade, amizade e amor. Deve haver, antes de tudo, a vontade de estar com o outro até em Marte se possível fosse. Deve se jogar fora todas as idealizações de namoro dos sonhos e entrar com os dois pés na realidade de um namoro de carne e osso, com todos os prós e contras que isso pode trazer. Caso contrário, é melhor comer um x-burguer. É melhor fazer qualquer outra coisa que não seja tentar viver com alguém. Se nossa própria companhia já nos entedia vez ou outra, é preciso coragem pra enfrentar o amargo e o doce que existe em toda união."
Marília Campos
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