"Se você é medico, é porque considera a vida dos seus pacientes um pouquinho melhor que a sua".
É, talvez, seja isso. Eu que achava que a vida de todo mundo era igual, já nem acho mais. Acho a dos outros mais importante, e, principalmente, daqueles que foram acometidos por algum tipo de doença, de desvio do que é fisiológico, por algo fora da capacidade deles de resolverem. E, por isso e muitas outras coisas, confiam em pessoas até então desconhecidas, para abrir o que lhe é mais íntimo: o corpo, e possivelmente, a alma. Abrem suas histórias, suas vidas, seus medos e confiam, simplesmente. Fazem isso, devido a um diploma de 6 anos ou mais. E basta pra eles. É pouco, mas basta pra eles. O resto, vem com a confiança de que somos gente também e que entenderemos a mesma humanidade. Ou nem é isso.
Eles simplesmente se abrem sem pensar muito em nós. Nós, não médicos, nós que vestimos o jaleco e vamos ali, na beira do leito, enchê-los com perguntas. Me dei conta, de repente, que guardava os dados pessoais e histórias para além da doença de cada um que resolvia me ajudar. E que eles confiavam já, mesmo sem o diploma. Mesmo sem o conhecimento. Talvez porque o mundo não seja tão frio quanto parece e há nele pessoas. Pessoas. Não precisam de muito para confiar. Muito menos quando estão sofrendo. Se abrem na dor e contam sem rodeios, alguns até com sorrisos. E quem se perde com tanta confiança, é a gente ali do outro lado que sente uma vontade maluca de largar as formalidades, puxar a cadeira e bater um papo. Abrir a vida também e dizer: "olha só, somos parecidos, torço muito para que sua dor melhore e logo, faça tudo o que deseja!" E a gente aprende....Aprende que nossa vida tem muito valor e que cada minuto do dia é bem importante para mudar o rumo dos nossos caminhos. Aprende a valorizar quem está do nosso lado e quem não está também. Aprende que nosso corpo tem uma capacidade enorme de suportar muitas dores e, ao mesmo tempo, uma fragilidade enorme de suportar muitas dores. Aprende que não importa raça, sexo, genero, opção política, sexual ou religiosa, mas que o brilho nos olhos é o que mais diferencia cada um. Sei lá, mas eu acho lindo.
Hoje, sem muita explicação, me bateu uma tristeza e um desânimo bastante grande sobre a vida e tudo o que eu ando fazendo dela. Não quis fazer mais nada além de pensar. As vezes, a gente cai nessas de que deveria estar fazendo outra coisa. Deveria ter escolhido uma vida mais fácil, uma coisa mais leve, algo mais alegre. Podia chegar em casa mais cedo, não pegar tanto transito, não gastar tanto tempo estudando. Podia ter tempo pra dormir, sair com os amigos que tanto reclamam-com razao-que eu sumi. Podia ter uma rotina menos massacrante e mais leve. Podia tanto....A gente sempre pode muito, tem um milhão de caminhos e ao tomar uma decisão, sempre haverá os outros por que não. Sempre. E no meio do caminho, nos esquecemos o porque mesmo de estarmos nele. E não em outro que parece andar com mais tranquilidade e numa trilha mais bonita. Vale uma boa memória para se lembrar que deveria haver uma escolha e por algum motivo, você fez aquela. Pode não ser a mais bonita, a mais legal ou a mais tranquila, mas foi aquela que teve o bom motivo para escolhe-la.
O meu bom motivo eu relembro todos os dias quando um paciente sorri e diz "obrigado" mesmo que eu não tenha feito nada, além de incomodá-lo tentando aprender. Obrigada, queridos, por tanto, mesmo ainda sendo tão pouco.
quarta-feira, 19 de março de 2014
domingo, 1 de dezembro de 2013
sin-tonia
sorrisos de verdades caladas
palavras naturais de uma conversa aleatória
e olhares que dizem o que se esconde
e eu não preciso de muito mais
só sentir.
palavras naturais de uma conversa aleatória
e olhares que dizem o que se esconde
e eu não preciso de muito mais
só sentir.
quarta-feira, 20 de novembro de 2013
sobre estar distraída
Sobre aquilo que seríamos, se fôssemos algo
Se fôssemos sonhos, seríamos irreais
Se fôssemos sentimentos, seríamos abstratos
Se fôssemos o que vivemos, seríamos passado
Se fôssemos o que pensamos, seríamos ideias
Se fôssemos o que acreditamos, seríamos incertos
Se fôssemos o que falamos, seríamos mutáveis
E se fôssemos tudo isso junto, nada seríamos
Dizem que o tudo está perto do nada, portanto,
Ele nos restaria
Dizem que o tudo está perto do nada, portanto,
Ele nos restaria
Se não fossemos reais, não seríamos
Se não fôssemos vida, seríamos fim
Se não fôssemos presente, seríamos inexistência
Se não fôssemos momentos, seríamos fulgazes
E se somos fulgazes, pra que todo o resto?
Sem mais fôssemos e muito menos seríamos
Não nos cabe os porquês
Não nos cabe os porquês
Na verdade, nada nos cabe
Nós somos pequenos demais para tudo que está contido em nós
Somos, simplesmente.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
vida inteira
" E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo - o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão -, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto." - Antonio Prata
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
a-jeito
Quando tudo parecer precisar de mais emoção, cor e vida, não se desespere. Corra atrás daquilo que pode alcançar, mas deixa que o destino faça sua parte.
Mantenha em si, consigo e por você mesmo, faça o que achar necessário para deixar o sorriso grande.
E pronto.
Não abra mão do que te faz.
Se for pra ser, vai ser.
Se for pra chegar, vai chegar.
Se for pra mudar, vai mudar.
E quando a gente tem a paciência de esperar. Acontece. Quando acontece, acontece quando tinha que acontecer.
Um dia me perguntaram por que eu?
E eu fiz a mesma pergunta. Eu?
Só não soube responder, nem a mim, nem a vocês.
Escute a si mesmo, porque a gente guarda mais soluções do que pode imaginar.
E respeitar o próprio tempo é uma delas.
Deixem dizer que não, que já ta na hora, que já passou da hora. Deixe a hora.
E concentre-se em fazer do seu próprio mundo, o mundo inteiro.
Vai dar certo, pode acreditar.
apaixone-se. todos os dias. por você.
o resto virá como consequência.
ninguém vive sozinho.
ninguem se encontra sem antes encontrar os outros.
e se apaixonar por eles.
terça-feira, 20 de agosto de 2013
várias de mim
Eu aprendi a conviver com a minha própria companhia e a gostar dela também. Aprendi que a vida não é vida se for sozinha, se não for compartilhada. Mas aprendi também que solidão é estar sozinho de si mesmo e não apenas a ausencia de outra pessoa. Não sei exatamente o que é e, ultimamente, eu tenho preferido a minha própria companhia e os meus proprios pensamentos. Tenho preferido o silencio aos gritos e a discrição a exposição. Deve ser o desejo de organizar o interno, acalmar as coisas para não desarrumar os outros. E to bem. To bem melhor do que imaginaria. E se falo, não é porque é ao contrário, mas sim, porque é estranho. Eu to bem assim meio sem ninguem e com todo mundo ao mesmo tempo. E, agora, me da licença, que eu vou continuar com todas as outras de mim.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.
Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crer que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre."
- Gabriel García Marques
Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crer que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre."
- Gabriel García Marques
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