quinta-feira, 7 de maio de 2015

Pra sempre

Não me lembro quando eu aprendi o que significava "pra sempre".
Mas me lembro bem quando descobri que ele acaba.
E foram assim algumas vezes. Para sempre, acaba, pra sempre, fim, e ,pra sempre, e foi.... 
E lembro quando comecei a questionar: que palavra é essa sobre coisas que não existem?

Talvez a definição seja similar ao que é eterno.
Talvez a gente descubra que nada é eterno.
Ou talvez, seja só um problema de definição mesmo
A gente pode cair no erro, e geralmente acontece, quando tentamos cercar as palavras, que são, por sua natureza, livres.

Pra sempre existe. 
A gente só precisa da sabedoria de perceber o que se tornou o nosso sempre.
Se o amor virou carinho, se a mágoa virou perdão, se a culpa virou rancor, se a raiva virou ódio que disfarçou o amor. Ou se o amor virou serenidade, se a serenidade virou paz, ou se a paz virou lição.
É só uma questão de escolher qual pra sempre é melhor.
Ou, talvez, de não defini-lo.


terça-feira, 21 de abril de 2015

Devaneios de uma quase madrugada

Vivemos tão pouco em tanto
E tanto em tão pouco
Pela infinitude de tudo que há de ser e não foi
Pela finitude de tudo que era pra ser e não é
Por ter sido

Por fim, vivemos e somos
Esquecemos quem somos e continuamos
Quando lembramos, paramos
Carregamos o mundo por fora, quando já há um mundo dentro
E ignoramos
E lembramos
E vamos
De um jeito ou de outro
Moldando nossa própria existência
Fugindo da essência
Correndo para o que resta
Deixando escapar o que é importante pelas
Frestas.

É só nossa magnitude
É só nossa pequenez
Nosso foi e ser
Nosso nunca e
Nosso sempre
Que jaz, já é
Sem nunca ter sido.

domingo, 29 de março de 2015

Sobre fins. E começos

Ele termina, diz que não da mais.
Ela não entende, mas não pede.

Ele sofre.
Ela não entende.

Ela chora.
Ele finge.
Ela sente. Sente muito. Sente por ela, pelos dois e sente por você.
Sente dó.

Ele desiste
Ela insiste.
Ele desiste de si mesmo.
Ela insiste nela mesma

Ela se encontra.
Ele se perde.
Ela cresce
Ele decresce

Ela procura por si.
Ele procura por outras, 
talvez por não conseguir ficar consigo.
Ela acha.
Ele também

Ela chora
Ele esconde
Ela afasta
Ele aproxima

Ela recusa
Ele percebe
Não dá
Não devia

Ela anda. Sempre pra frente. Olhando pra cima.
Ele recua. Abaixa a cabeça.

Ela chorou
Ele chora
Ela vai
Ele volta

Sozinho.
Passou.

segunda-feira, 2 de março de 2015

(des)conectados

Substituimos as cartas por postagens e as declaraçoes por curtidas.
Substituimos o toque pela tecla, o audio pelo ouvido, o emoction pela careta.
E continuamos vivendo com a falsa sensacao de conexão, quando a verdade é que não encontramos nem a nos mesmos

E nem percebemos que, na verdade, a busca continua sendo por quem está atras de tanta tecnologia

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Continue a nadar:) nadar.

Uma grande máxima da vida é aquela bem cliche: tudo passa.
Tudo passa mesmo, as coisas boas infelizmente, e as ruins, felizmente. Tudo deve ser vivido com intensidade, porque vai passar. Sofra mesmo, ame mesmo, sorria mesmo, chore mesmo, sinta mesmo, escolha mesmo, arrisque-se mesmo. Porque, como li num texto desses da internet, se não vivermos mesmo, corremos o risco de vivermos mais ou menos. E aí, nos tornamos uma pessoa mais ou menos.

A vida é assim. Ninguém, absolutamente ninguém, passa por ela em branco. Ainda que você viva alguns minutos ou algumas décadas. Ela consegue ser diferentemente igual ou igualmente diferente. E no fim, eu acredito que acabamos com o mesmo saldo de momentos. A grande individualidade é o que fizemos com cada um deles, como passamos por eles, como sobrevivemos.

A gente devia ter mais compaixão com o próximo, porque ele é só mais um nesse mar cheio de onda e calmaria. Então, é melhor, amigo, ter alguém pra não te deixar afogar quando cansar. Assim como é bom segurar quem tá cansado. Estamos todos juntos, mas só nós sabemos as correntezas que pegamos.

Só nós sabemos o que é ser quem somos. Com todas as nossas escolhas e consequências. Com todos os riscos que corremos ou que não corremos.

Eu sinceramente acredito que acima do mar tem outra imensidão de azul e lá de cima tem um Cara olhando por cada um de nós. E Ele tem a capacidade de mudar todas as direções para nos levarmos a boas praias. Por isso, feche os olhos e siga a correnteza. Você pode levar um caldo de vez em quando, mas vai chegar a praia e vai sair dela e ir a outras. E vai vivendo. O que vale é nao ficar parado numa ilha, olhando tudo passar. Isso é muito mais ou menos. E, da vida, é sempre bom querer mais.


sábado, 31 de maio de 2014

in

Busco a essência,
busco o dia que todos nós nos reconheceremos como parte do mesmo todo.
Busco você, ele, todos nós,
Busco uma coisa só.
E espero que cheguemos lá.
Lá onde as aparências não enganam, porque elas nao existem
Lá onde a gente não precisa fingir ser feliz, a gente descobre que é
E que tem tudo que basta pra isso.

A verdade é que a gente ta perdido.
Só porque não procurou se encontrar por dentro
E enquanto isso não acontece, viveremos buscando o inatingível. Ou inexistente

sexta-feira, 23 de maio de 2014

be patient

São 00:29 de um sábado. Sim, fim de sexta, 29 minutos iniciais de um sábado chuvoso e eu decidi que entre as mil coisas que eu preciso fazer, não quero fazer nenhuma.
A madrugada tem um silêncio peculiar que contrasta com nossa mente sempre contra o real e a favor do imaginário. Sabe aquele caos mental que te impediria até de dormir por um tempo? Aquele que te tormenta todas as noites de dias conturbados positiva ou negativamente e te fazem rolar na cama se nao por minutos, por algumas horas, até que o cansaço geral vença. Então, é essa a bagunça que me acompanha e não, não me sinto solitária na madrugada. Muito menos, em silêncio.

A gente não percebe as vezes, mas o tempo passa. E muito rápido. Se você nao resolver prestar atenção em alguns pensamentos que passam pela nossa cabeça em dias melancólicos, terá perdido a chance de sentir o que anda perdendo ou ganhando por aí. Hoje em dia, a gente anda vivendo muito, várias vezes, por vários meios. Recebe muita informação, dá conta de várias coisas ao mesmo tempo e esquece o relógio ou só lembra dele. Deixamos tudo acumular, tudo virar o caos, para que no fim, possamos parecer ocupados demais, estressados demais, adultos demais. E aí, nesse meio todo, perdemos o principal. Perdemos a despedida, o reencontro, a reflexão, o aprendizado, a vida de um só.

Bom, o semestre está acabando e, com ele, mais um período da faculdade termina. Eu faço medicina, e, procurando outros textos por aqui, perceberá que é a realização de um sonho. Mas, como é natural, todo sonho que vira rotina, deixa de ser sonho para virar objetivo e,  por vezes, a gente esquece o que era.
Estou no terceiro ano da Faculdade e isso me dá um certo alívio e um certo medo também. As coisas já nao sao tão novas, não rola aquele desconhecimento de calouro, partes bem chatas já passaram e partes boas estão por vir. Por outro lado, partes essenciais já passaram, muita coisa boa já passou e a responsabilidade aumenta gradativamente. Eu percebi quando tive que mudar de postura. Quando saí da teoria pra prática e me vi conversando com as pessoas mais distintas possíveis, sobre suas doenças e, principalmente, sobre suas vidas. Eu senti que estava mudando e assim devia ser. Ainda estou, e talvez, escrever seja uma forma de continuar sentindo. Conversei, conversei, conversei. E passei a tocá-los. Agora, Dona Maria, eu posso, por favor, fazer o exame físico da senhora? É rapidinho, só pra ver o coração, pulmao? Seu Sebastião, fala 33! De novo! Repete! Seu João, tem alguma dor na barriga? Pedrinho, vira de costas pra mim, por favor? E aos poucos, a vergonha dá lugar a um pouco mais de segurança. E o medo, lugar a confiança. O que mais me impressiona para além das anomalias raras que a gente tem a chance de estudar, é o sorriso dos pacientes e o olhar. Eu me pergunto como pode sorrirem naquela situação? E ainda contarem pra gente sobre o que lhes é mais íntimo? Guardo comigo papéis com o número de filhos da dona Mara, com os hábitos do seu Francisco, com a casa da Dona Eulália, com a vida inteira de gente guerreira que ensina pra gente muito mais do que os livros. Guardo comigo o olhar verde e cheio de vida do seu Flávio, vida que o corpo já não demonstra tanto, mas o olhar serve como comunicação, expressão e significado. Guardo comigo a simpatia do seu Sebastião que deixou 8 pares de mão examiná-lo incansavelmente e a saudade de quando soubemos que ele não estava mais distribuindo sorrisos espontâneos pela Terra. Guardo comigo a seriedade de uns e o humor de tantos outros. Guardo a paciência de todos eles. Paciência essa que podia ser só título, mas virou admiração também. "Podemos examinar o senhor?" "Claro, a vontade". Admiro cada um deles que nos ensinaram e permitiram tudo isso. Obrigada. Espero ser como alguns deles disseram: Menina, vocês aprendem com a gente agora, para cuidarem da gente no futuro. Seja uma boa médica.
E eu saia com o coração cheio: se Deus quiser e Ele há de querer.
A medicina me revolta, me estressa, me enlouquece, mas me apaixona. É daqueles amores meio malucos que você sabe que haverão percalços, mas não vive sem. Aquele sentimento de pertencimento. A sensação de que é ali o seu lugar.
Os médicos também me admiram. Não porque já estão aonde quero chegar, mas porque tive contato com professores que sabiam muito além da técnica. Sabiam lidar com pessoas. Pasme. Assim como eu me surpreendi achando que uma universidade devia estar cheia de arrogantes intelectuais cientistas sem compaixao, me surpreendi. A faculdade tem nome pelos seus profissionais. Pelos seus bons profissionais. Disse o paciente que, mesmo com todos os problemas estruturais, o HU ainda era o melhor lugar pra ele estar. E as pessoas de lá eram boas. Os médicos, as enfermeiras, os técnicos.
Posso dizer com um certo orgulho, de que os professores com os quais tive contato até hoje, perguntaram o nome de cada paciente que conversamos. E foram incluídos nas conversas. Eles não são a insuficiencia hepática, o sopro, a turgencia, a hemossiredose, a ascite. Eles sao a Ana, o Paulo, a Jacira, o Antônio, a Mara, o Celso......

Assim, foi se passando meu período. E eu nem tinha me tocado. Deixei tudo bem acumulado e nessa última semana, to pensando que devia ter feito diferente, devia isso, devia aquilo. Quando percebi, já estava me despedindo. E deu tempo de parar pra pensar o que mesmo está acontecendo em meio a mil provas.
Ah, é. A medicina é realidade. Boa ou ruim. E entre as mil coisas que eu não quero fazer, está não perceber que as coisas mudam e a gente muda com cada uma delas.