domingo, 1 de dezembro de 2013

sin-tonia

sorrisos de verdades caladas
palavras naturais de uma conversa aleatória
e olhares que dizem o que se esconde

e eu não preciso de muito mais
só sentir.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

sobre estar distraída

Sobre aquilo que seríamos, se fôssemos algo
Se fôssemos sonhos, seríamos irreais
Se fôssemos sentimentos, seríamos abstratos
Se fôssemos o que vivemos, seríamos passado
Se fôssemos o que pensamos, seríamos ideias 
Se fôssemos o que acreditamos, seríamos incertos
Se fôssemos o que falamos, seríamos mutáveis
E se fôssemos tudo isso junto, nada seríamos
Dizem que o tudo está perto do nada, portanto,
Ele nos restaria

Se não fossemos reais, não seríamos
Se não fôssemos vida, seríamos fim
Se não fôssemos presente, seríamos inexistência
Se não fôssemos momentos, seríamos fulgazes
E se somos fulgazes, pra que todo o resto?
Sem mais fôssemos e muito menos seríamos
Não nos cabe os porquês
Na verdade, nada nos cabe
Nós somos pequenos demais para tudo que está contido em nós
Somos, simplesmente.



sexta-feira, 8 de novembro de 2013

vida inteira

" E se existe essa centelha quase palpável, essa esperança intensa que chamamos de amor, então não há nada mais sensato a fazer do que soltarmos as mãos dos trapézios, perdermos a frágil segurança de nossas solidões e nos enlaçarmos em pleno ar. Talvez nos esborrachemos. Talvez saiamos voando. Não temos como saber se vai dar certo - o verdadeiro encontro só se dá ao tirarmos os pés do chão -, mas a vida não tem nenhum sentido se não for para dar o salto." - Antonio Prata

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

a-jeito

Quando tudo parecer precisar de mais emoção, cor e vida, não se desespere. Corra atrás daquilo que pode alcançar, mas deixa que o destino faça sua parte.
Mantenha em si, consigo e por você mesmo, faça o que achar necessário para deixar o sorriso grande.
E pronto. 
Não abra mão do que te faz. 
Se for pra ser, vai ser. 
Se for pra chegar, vai chegar.
Se for pra mudar, vai mudar. 
E quando a gente tem a paciência de esperar. Acontece. Quando acontece, acontece quando tinha que acontecer.

Um dia me perguntaram por que eu?
E eu fiz a mesma pergunta. Eu?
Só não soube responder, nem a mim, nem a vocês.
Escute a si mesmo, porque a gente guarda mais soluções do que pode imaginar.
E respeitar o próprio tempo é uma delas.
Deixem dizer que não, que já ta na hora, que já passou da hora. Deixe a hora.
E concentre-se em fazer do seu próprio mundo, o mundo inteiro.
Vai dar certo, pode acreditar.

apaixone-se. todos os dias. por você. 
o resto virá como consequência.
ninguém vive sozinho.
ninguem se encontra sem antes encontrar os outros.
e se apaixonar por eles.
todos os dias.





terça-feira, 20 de agosto de 2013

várias de mim

Eu aprendi a conviver com a minha própria companhia e a gostar dela também. Aprendi que a vida não é vida se for sozinha, se não for compartilhada. Mas aprendi também que solidão é estar sozinho de si mesmo e não apenas a ausencia de outra pessoa. Não sei exatamente o que é e, ultimamente, eu tenho preferido a minha própria companhia e os meus proprios pensamentos. Tenho preferido o silencio aos gritos e a discrição a exposição. Deve ser o desejo de organizar o interno, acalmar as coisas para não desarrumar os outros. E to bem. To bem melhor do que imaginaria. E se falo, não é porque é ao contrário, mas sim, porque é estranho. Eu to bem assim meio sem ninguem  e com todo mundo ao mesmo tempo. E, agora, me da licença, que eu vou continuar com todas as outras de mim.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

"Não sinto nada mais ou menos, ou eu gosto ou não gosto. Não sei sentir em doses homeopáticas. Preciso e gosto de intensidade, mesmo que ela seja ilusória e se não for assim, prefiro que não seja.
Não me apetece viver histórias medíocres, paixões não correspondidas e pessoas água com açúcar. Não sei brincar e ser café com leite. Só quero na minha vida gente que transpire adrenalina de alguma forma, que tenha coragem suficiente pra me dizer o que sente antes, durante e depois ou que invente boas estórias caso não possa vivê-las. Porque eu acho sempre muitas coisas - porque tenho uma mente fértil e delirante - e porque posso achar errado - e ter que me desculpar - e detesto pedir desculpas embora o faça sem dificuldade se me provarem que eu estraguei tudo achando o que não devia.
Quero grandes histórias e estórias; quero o amor e o ódio; quero o mais, o demais ou o nada. Não me importa o que é de verdade ou o que é mentira, mas tem que me convencer, extrair o máximo do meu prazer e me fazer crer que é para sempre quando eu digo convicto que "nada é para sempre."

- Gabriel García Marques

domingo, 28 de julho de 2013

"E tenham também a coragem de ser felizes!"

Há pouco mais de um ano, a Jornada Mundial da Juventude já começava a despontar sua preparação em algumas paróquias e causava certa expectativa. Foi se concretizando mesmo com o início dos treinamentos e quando as informações foram chegando, os números eram enormes e por mais que eu imaginasse, a magnitude do evento ainda iria me impressionar.

Em 2013, a jornada ultrapassou os muros da Igreja e passou a ser assunto de outras rodas de conversa. Seria em julho um tal evento de jovens católicos. Não sei até aonde foi o pensamento de cada um, mas sei que só tomaram consciência mesmo quando afetou a rotina de todo o morador da cidade do Rio pelo decreto oficial de feriado. Bom, era um evento importante . Foi possível ver as mudanças em todos os planejamentos, fosse da faculdade ou do trabalho. Ou ainda no transito. As ruas seriam fechadas. Era um evento grande. Eu, ainda que soubesse antes sobre os possíveis feriados, fui me surpreendendo a cada alteração de planejamento em torno de um algo que já me engajava há um tempo. Em torno de um evento religioso em tempos de ceticismo.

Dia 23 a 28 de julho, então, chegou. Tudo chega e não foi diferente com o que esperamos por um ano e meio. Coloquei na bolsa azul meu colete de socorrista, minha garrafa de água, dinheiro, documento, celular e alguns chaveiros para “cambiar”. Vesti a camisa amarela e a credencial de voluntário. E levei no coração a vontade de ver o que aconteceria. A minha expectativa era ver pessoas, ajudar quem passava mal e o Papa ficaria pra a próxima Jornada, ve-lo seria muito difícil(esqueci que os planos de Deus são sempre melhores que os nossos). Apesar da longa espera, aprendi que quanto maior essa tal de expectativa, maior a probabilidade de decepção. Ultimamente, ando mantendo-a no limite mínimo.

 

E aí, entre tantas mudanças, entre tantas falhas, entre tantas situações com valores nem um pouco cristãos, ainda assim, não era possível desanimar. Não era possível, pelo menos, não se impressionar com a quantidade de pessoas de todo mundo no mesmo lugar, falando diferentes línguas, mas se entendendo pela forma mundial de manifestação do bem: o sorriso. Olhando assim, por fora, eu posso até parecer uma pessoa com muita fé, mas a verdade, é que esse negócio de fé precisa de uma recarga constante e, no meu caso, eu diria que a minha é tão pequena que eu preciso sempre de algo para mante-la viva. Todos precisamos. E o que eu presenciei durante todos esses dias foi como reacender o que quase se apagava. Foram ações concretas de humanidade por todos os lados: vi uma multidão em silencio, rezando junta a um mesmo Deus que morreu por nós por amor e vi essa mesma multidão pulando na mesma música, mostrando que alegria vem de dentro; vi um grupo de jovens chilenos cantando juntos no centro do Rio e deixando todos nós que passávamos, pasmos com a animação e testemunho; vi um homem com um sorriso permanente até de boca fechada que incansavelmente acenava para muitos que esperaram por horas apenas sua presença cheia de graças; vi o mesmo homem de novo, demonstrando uma simplicidade absurda pelo olhar ainda que ele seja um chefe de estado; vi esse Papa Francisco trazendo a Cristo, como ele mesmo disse no discurso de chegada, pessoalmente. Ele nos trouxe o Cristo que está com ele de maneira muita viva e transparente, basta parar para sentir o que acontece quando ele passa. Vi gente de todos os lugares do mundo conversando como se tivessem se reencontrado. Vi soldados educados e prestativos a manter a organização sem tirar o brilho de tal acontecimento. Vi argentinos e brasileiros juntos, africanos e europeus. Vi tantas bandeiras balançando que nem sabia o nome de todos os países que representavam. Falei em espanhol, inglês e até algumas palavras em polonês, descobri que não sei falar quase nada de nada, mas que quando a gente quer ajudar, a gente se entende. Vi milhares andando por todos os cantos e, ainda que cansados, cantavam certos de que não havia lugar melhor para estar. Eu andei, eu dancei, eu cantei, rezei, trabalhei e me emocionei muito com tudo o que acontecia. Eu vivi aquilo ali de algumas maneiras e, pelo meu próprio ângulo, posso dizer que há vários erros, mas nenhum deles conseguiu sequer atingir o grande objetivo da Jornada: a vivência da fé por jovens discípulos que vieram do mundo inteiro e que, agora, voltam como missionários. Uma boa notícia não deve ficar escondida, ela deve ser anunciada a todas as nações. E o Papa Francisco nos trouxe uma boa notícia: “Jesus Cristo bota fé nos jovens...Ide sem medo para servir....Misturem amor, fé e esperança, tudo junto, na vida de vocês.....E tenham também coragem de ser felizes!”

Do mesmo jeito que a Igreja deve ser reformada e acompanhar as mudanças do mundo para que haja mais humanidade, respeito, dignidade e igualdade, nós que fazemos parte dela precisamos continuar a Jornada nos nossos corações e, consequentemente, nas nossas casas, cidades e, por fim, países. O clima é de despedida, mas o pedido é de continuidade. Começou agora e é a parte mais difícil, porque ser cristão em 3 milhoes de cristãos é como ser gota no meio do mar. E o Papa Chico nos pede para “irmos contra a correnteza sem medo”, só porque o mundo anda muito de cabeça pra baixo. Só porque “nenhum cristão deveria dormir bem até que uma única criança passe fome no mundo”, só porque seguir a Cristo vai muito além da doação no fim do mês. Abrange o encontro com todas as religiões e a causa política de cada lugar.  Antes de sermos católicos, precisamos ser gente. Precisamos olhar o outro como gente seja lá qual for sua religião e, só assim, atingiremos corações. Um inesquecível exemplo já deixou os ares cariocas, mas vai permanecer presente na nossa memória assim como a intensidade desses últimos dias que vivemos.

Por fim, eu diria que a saudade já é grande e dolorida porque viveria assim todos os dias se pudesse e, agora, “acabou-se”. Só quem teve tal experiência, entende que, acima de qualquer polemica e dilema, o nosso maior ponto de encontro é o amor gigantesco de Deus por cada um de nós. E esse não tem como deixar. É por isso, que é bom coloca-Lo em todos os dias da nossa vida. Ainda que a rotina possa nos afastar, que a Jornada tenha sido a vivencia viva de que não estamos sozinho e de que vale muito a pena ser feliz de maneira plena.
 E, claro, POLSKAAA, espere por nós!